Gastroplastia Endoscópica e a Nutrição

A Obesidade é uma doença universal de prevalência crescente e vem adquirindo proporções alarmantemente epidêmicas.

Mesmo com os avanços farmacológicos nos últimos anos, os resultados do tratamento clínico da obesidade permanecem quase sempre ineficazes. Em contrapartida, as técnicas endoscópicas vêm se consolidando como a melhor opção terapêutica para a obesidade, com resultados superiores ao tratamento clínico. Em geral, os pacientes submetidos a estes procedimentos apresentam redução acentuada e sustentada do peso corporal e elevado índice de resolução das doenças relacionadas a obesidade, melhorando a qualidade de vida.

Esta técnica, é baseada em dois princípios, o primeiro sendo a restrição do volume alimentar ingerido e o segundo a retirada de uma área do estômago onde será produzido um hormônio chamado grelina, sendo o hormônio responsável por gerar a sensação de fome.

Este procedimento, está se tornando muito conhecido e realizado em várias partes do mundo, conseguindo alcançar o número de cirurgias realizadas com o bypass gástrico que, atualmente é a cirurgia mais realizada. O principal motivo que leva a este aumento de cirurgias realizadas é devido ao fato de não interferir no intestino, evitando o aparecimento de qualquer desordem nutricional.

A Nutrição antes da Gastroplastia Endoscópica

O acompanhamento nutricional pré gastroplastia endoscópica tem como objetivo, identificar e tratar erros e transtornos alimentares; promover perda de peso inicial, visando preparar o paciente para as mudanças no padrão alimentar após o procedimento e, com isso aumentar o potencial de sucesso após a gastroplastia.

Nos encontros que antecedem o procedimento, os pacientes serão orientados sobre a necessidade de modificar seus hábitos alimentares, principalmente em relação ao tamanho das porções, à mastigação adequada e ao tempo gasto por refeição.

O objetivo principal no primeiro mês após o procedimento é garantir a alta ingestão de proteínas e líquidos, para uma melhor cicatrização, maior perda de peso e estabilidade metabólica.

O protocolo de progressão da dieta após a gastroplastia é dividido em quatro estágios:

  1. Primeiro estágio: Dieta Líquida sem resíduos ( Duração de uma semana)
  2. Segundo estágio: Dieta Líquidificada ( Duração de 2 a 3 semanas)
  3. Terceiro estágio: Dieta Pastosa (Duração de 3 a 4 semanas)
  4. Quarto estágio: Dieta de consistência normal

É de grande importância, que o candidato ao procedimento acima, tenha em mente que é necessária uma mudança comportamental realizada por meio de orientações nutricionais específicas para que o paciente incorpore hábitos alimentares saudáveis e assim consiga atingir o peso ideal a sua manutenção

Suplementação Nutricional após GE

Após a GE, as deficiências nutricionais podem ocorrer pela menor ingestão de alimentos, devido à redução do estômago. No entanto, em pacientes submetidos à GE, a restrição do tamanho do estômago, justificam a utilização da suplementação nutricional. Portanto, a utilização de uma dosagem diária adequada de polivitamínicos/minerais é a forma de garantir esse aporte. A dieta individualizada e bem orientada é a maneira mais adequada de manter os nutrientes em em níveis desejáveis.

Essa reposição é realizada nos meses iniciais, na maioria dos casos, por suplementos em forma de pastilhas e/ou em pó solúveis devido à restrição inicial à comprimidos e cápsulas, existindo também a possibilidade de diluição do comprimido em líquidos; em geral, após 60-90 dias de cirurgia o uso de comprimidos e cápsulas é permitido.

O suplemento contém 100% ou ao menos 2/3 das necessidades diárias, com a finalidade da prevenção das deficiências nutricionais. Através do acompanhamento de rotina com equipe multidisciplinar será avaliado a necessidade de uma suplementação específica de algum nutriente isolado caso seja necessário

Balão Intragástrico – BIG

Definição

O Balão intragástrico (BIG), é uma medida temporária no tratamento da obesidade que pode variar de 6 meses há 1 ano, não afeta a absorção do nutriente, e visa aumentar a saciedade e promover o emagrecimento.

Por ser um tratamento não invasivo, de fácil condução, interrupção e sem mortalidade associada, justifica-se como método que permite uma oportunidade de reeducação alimentar e mudança comportamental, sendo estes fatores decisivos para o sucesso do tratamento da obesidade.

A média de perda de peso é entre 15 a 20% do peso inicial, esta perda é extremamente variável e depende de vários fatores como peso inicial, adaptação, volume de preenchimento, disposição emocional para mudanças, adesão ao controle clínico e nutricional, grau de atividade física, metabolismo basal.

A perda mínima esperada para se considerar que o tratamento foi bem-sucedido é de 10% do peso inicial, mas há pacientes que perdem mais de 30kg. A motivação e a disciplina para implantar as mudanças são os grandes determinantes deste resultado

Indicação

O BIG é indicado para pacientes com 40% acima do peso ideal, sendo a principal indicação o uso em obesos com resultados insatisfatórios no tratamento clínico convencional

  • Pacientes com IMC abaixo de 35kg/m², que não respondem ao tratamento clínico por mais de 3 anos
  • Pacientes com IMC maior que 35kg/m² que não tem condições de serem submetidos a cirurgia por contraindicação médica
  • Pacientes que não estão dispostos a se submeterem a uma cirurgia de bariátrica

Cuidados nutricionais pré procedimento

A nutricionista é responsável pela avaliação do comportamento alimentar, para que possa detectar desvios alimentares e corrigi-los preferencialmente antes do procedimento para obtenção de melhores resultados finais

Período durante o implante

Alguns sintomas logo após a passagem do balão podem ocorrer como náuseas/vômitos nos primeiros dias, porém esses sintomas não podem interromper o plano alimentar.

Após a fase líquida da dieta, deve-se iniciar um programa de atividade física regular

Evolução dietética pós-implante:

  • 3 dias –7 dias dieta líquida sem irritantes gástricos (SIG)
  • 7 - 15 dias – dieta líquida completa
  • 15 - 30 dias – dieta pastosa (semilíquida)
  • Dieta Branda fracionada hipocalórica e normoproteíca de acordo com as necessidades individuais
  • Alimentos da dieta líquida de prova: Chás, água de côco, água mineral, repositores eletrolíticos, e sucos de fruta diluídos.
  • Em todas as fases são recomendados o uso controlado de gorduras de adição e sacarose (açúcar) – como em todos os procedimentos para emagrecimento
  • Leites sem lactose, ou dos de Soja sem lactose e sacarose.
  • O café pode ser usado sem cafeína, e os chás pobres em taninos ( pode todos os claros, com exceção do verde, maçã e preto)para evitar o risco de constipação
  • Evitar bebidas com gás, comer bem devagar e mastigar exaustivamente
  • Picolés de frutas que não tem sacarose e lactose
  • Beba água entre as refeições (para reidratação e em particular para retirar partículas de alimentos que podem estar ao redor do balão, que podem causar náuseas e mau hálito)
  • Preparações semilíquidas: mingaus, vitaminas, sucos mistos, papa de frutas cremosas, smoothies, queijos cremosos, sopas liquidificadas,
  • Espere no mínimo 2 horas após comer para deitar-se
  • EVITAR: sorvete, leite condensado, bebidas açucaradas ou alcóolicas; e com petiscos como amendoim, salgadinhos, etc

Acompanhamento nutricional

O seguimento com a nutricionista após colocação do implante é mensal ou bimensal, conforme a necessidade de cada paciente e o tipo de balão.

Após a retirada do balão, é necessário o acompanhamento para a manutenção da perda de peso, e intervenções periódicas para não haver reganho de peso.